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Casos de demência: Brasil ainda enfrenta barreiras para diagnóstico precoce.

11/05/2018
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Casos de demência: Brasil ainda enfrenta barreiras para diagnóstico precoce.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o número de casos de demência triplique até 2050, atingindo mais de 152 milhões pessoas ao redor do globo. Tal aumento deve-se ao envelhecimento populacional e continuará a atingir principalmente países de baixa e média renda. O tema foi abordado com mais profundidade por especialistas em diagnóstico por imagem reunidos em São Paulo/SP, que apresentaram e debateram o que há de mais recente e avançado sobre tratamento e detecção da doença, durante a 48ª Jornada Paulista de Radiologia, que aconteceu de 3 a 6 de maio.

Demência é um “termo guarda-chuva” para denominar diversas doenças que afetam progressivamente, em sua maioria, a memória, o comportamento e as habilidades cognitivas. A mais comum é o Alzheimer, aparente em quase 70% dos diagnósticos. A Dra. Claudia da Costa Leite, professora associada do Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, foi uma das palestrantes e destaca os problemas para a detecção precoce dessas doenças neurodegenerativas: “Na doença de Alzheimer, por exemplo, os achados de ressonância magnética (RM) só aparecem em fases tardias. Contudo, procedimentos diagnósticos da medicina nuclear são bastante promissores, a partir do uso de novo marcador: o Pittsburgh compound B (PIB)”, afirma.

O PIB foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh que visavam fornecer ferramentas para um diagnóstico precoce e definitivo. O Alzheimer é patologicamente caracterizado pela presença de placas amilóides contendo amilóide-beta (Aβ) e emaranhados neurofibrilares. Desta forma, o PIB, que é derivado da tioflavina-T (ThT), molécula capaz de ligar-se a proteínas amiloides, é utilizado junto à tomografia por emissão de pósitrons (PET), permitindo detectar a doença pré-clinicamente em pessoas com  sintomas leves ou atípicos.

No Brasil, porém, os pacientes ainda não podem contar com acesso a essa tecnologia, como adianta Leite. “Apesar de termos condições iguais às dos países desenvolvidos quando falamos da ressonância magnética, na medicina nuclear, o PIB ainda não é comercializado no País”.

Acesso a mecanismos de diagnóstico é inclusive outra preocupação da OMS, já que apenas 14% dos países que fornecem dados sobre demência indicam o número de pessoas que sofrem com o problema. Além disso, estima-se que aproximadamente 90% das pessoas que tenham algum tipo de demência em países de baixa e média renda não saibam desta condição.

 

Fonte: labornews

 

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