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O HPV e a Vacinação: a Importância do Reforço da Informação

06/11/2017
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A vacina contra o HPV é considerada a mais relevante estratégia para prevenção dos cânceres de colo uterino, vulva, pênis, ânus e orofaringe

Saúde – Vacina para HPV (papilomavírus humano) (iStock/Getty Images)

 

vacina contra o HPV foi incluída no Calendário Nacional de Imunização em 2014 e o governo brasileiro a considera, em concordância com outros países, a mais relevante estratégia para prevenção dos cânceres de colo uterino, vulva, pênis, ânus e orofaringe. No entanto, a desinformação e o preconceito têm impedido que as metas de imunização sejam alcançadas, comprometendo o sucesso do programa e mantendo em risco gerações de brasileiros que poderiam evitar uma série de doenças graves com apenas duas injeções.

A vacina tem a capacidade de imunizar as crianças, protegendo, com ação dos anticorpos, contra o primeiro contato contra o HPV. E, mais uma vez, por que imunizar as crianças? Calcula-se que entre 30% a 70% das pessoas sexualmente ativas estejam infetadas por pelo menos um tipo do vírus. A vacina impede, ainda, infecções secundárias ao vírus, as lesões pré-malignas decorrentes das infecções e, por fim, os tumores das regiões acima citadas.

HPV no Brasil e no Mundo

Só neste ano, aqui no Brasil, 17.000 mulheres devem receber o diagnóstico de câncer de colo de útero, a 4ª maior causa de morte entre as brasileiras. No mundo, os HPVs são responsáveis por cerca de 250.000 óbitos pela doença a cada ano. Nos Estados Unidos, já é o principal desencadeador de câncer de orofaringe. Aqui no país, é cada vez mais evidente o papel das infecções pelo vírus como causa de tumores de cabeça e pescoço.

Eficácia comprovada

Recentemente, dois importantes estudos internacionais comprovaram a importância da vacinação. A primeira destas pesquisas, publicada no Journal of the National Cancer Institute, mostrou que o efeito da vacina contra o HPV pode ser mais amplo do que se pensava. A vacina contra o HPV protege contra dois subtipos do vírus, o 16 e o 18, que aumentam o risco de câncer. Essa análise revelou, no entanto, que a incidência de outros subtipos oncogênicos, como 35, 52, 58, 68 e 73, foi muito menor em pessoas vacinadas do que nas que não foram imunizadas. O levantamento foi feito com 21.596 mulheres.

Outro estudo, envolvendo 2.627 homens e mulheres entre 18 e 33 anos, avaliou o papel da vacina na diminuição da infecção oral por HPV. Em relação ao grupo não vacinado, o grupo imunizado teve um porcentual de infecções 88% menor. Este foi um dos primeiros estudos que mostram uma redução significativa da infecção pelo HPV numa população jovem vacinada. E é uma prova que, talvez, a redução da infecção possa ser uma arma potente para a diminuição do câncer de cabeça e pescoço.

Recomendações gerais de imunização

O governo tem ampliado a abrangência da campanha segundo os estoques nos Estados, mas não podemos nos esquecer das recomendações gerais de imunização: meninos na faixa etária de 11 a 13 anos e meninas de 9 a 14 anos devem tomar duas doses, sendo aplicadas com intervalo de seis meses entre elas. Homens e mulheres de 9 a 26 anos, vivendo com HIV podem ser imunizados, bem como os transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos de 9 a 26 anos.

Vencer as metas da vacinação contra o HPV é um grande passo e estimula a sociedade a brigar por melhores condições de rastreamento, diagnóstico e tratamento destes tipos de câncer.

 

(Ricardo Matsukawa/VEJA.com)

 

 

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