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Câncer de mama e cuidados na área da dermatologia

30/10/2017
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O dermatologista tem papel importante após o diagnóstico da doença, pois os cuidados com a pele, unhas e cabelos são fundamentais nessa fase

câncer de mama é a neoplasia responsável pelo maior número de mortes no universo feminino dentre todos os tipos de cânceres. No mês de outubro, ocorre o movimento internacionalmente conhecido como “Outubro Rosa”. O nome remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades.

Para a redução dessa estatística, é muito importante a conscientização da população para a realização do autoexame de mamas e mamografia regularmente, além do exame médico periódico. O médico especialista verifica eventuais alterações nas mamas e está apto a conduzir o diagnóstico e, a partir daí, solicitar a abordagem de uma equipe multidisciplinar para estabelecer um tratamento integral da paciente.

Sintomas

Dentre as alterações nas mamas que levantam suspeita para o câncer de mama, com alterações na pele, podemos citar:

  • Aparecimento de “caroço”
  • Inchaço em parte do seio
  • Irritação da pele ou aparecimento de irregularidades na pele, como covinhas ou franzidos, ou que fazem a pele se assemelhar à casca de uma laranja
  • Dor no mamilo ou inversão do mesmo (para dentro)
  • Vermelhidão ou descamação do mamilo ou pele da mama
  • Saída de secreção (que não leite) pelo mamilo
  • “Caroço” nas axilas

O papel do dermatologista

Uma vez feito o diagnóstico de câncer de mama, o dermatologista tem papel importante, pois os cuidados com a pele, unhas, cabelos e outras ações no dia a dia são fundamentais nessa fase. Alguns procedimentos do tratamento também exigirão métodos preventivos com a pele.

No caso da radioterapia, por exemplo, poderão surgir queimaduras na pele. Então, antes de mais nada, é recomendado o uso diário de protetor solar, no mínimo, FPS 30. Na maioria desses casos é importante lavar o local com sabonete neutro, manter a área limpa e seca, evitar produtos à base de álcool e perfumes e evitar tomar sol no local. Entretanto, como a abordagem terapêutica depende do grau de acometimento, é necessária a avaliação e recomendação formal e presencial de um dermatologista.

Se o tratamento for com quimioterapia, podem ocorrer vários efeitos dermatológicos, como ressecamento da pele, coceiras, alterações na pigmentação, surgimento de acne, síndrome mão-pé (ressecamento que pode causar rachaduras, vermelhidão, descamação), problemas nas unhas devido à baixa da imunidade, muita sensibilidade ao sol e a tão conhecida queda dos cabelos.

Algumas recomendações para essa situação são as seguintes:

  • Ressecamento de pele:uso de hidratantes específicos para o corpo e o rosto. Os produtos devem ser sem perfumes, hipoalergênicos (minimizam a chance de irritação e alergias) e não-comedogênicos (não formadores de cravos);
  • Coceiras:água morna e banhos rápidos; não esfregar a pele na hora de secar, deixar que a toalha absorva a umidade e hidratar bastante a pele após o banho com um produto prescrito pelo dermatologista;
  • Alteração na pigmentação:evitar exposição ao sol e usar maquiagem hipoalergênica. Se o paciente já tiver manchas no início do tratamento quimioterápico ou radioterápico, deve aguardar para usar clareadores e ácidos. A pele pode ficar muito sensível e esses produtos pioram o quadro. Melhor aguardar o final do tratamento e junto com um dermatologista definir o início e o período de uso dos produtos;
  • Acne:lavar as áreas afetadas com sabonetes suaves, podem ser utilizados medicamento, filtros solares, hidratantes e maquiagem para camuflagem;
  • Síndrome mão-pé:utilizar sabonetes suaves e hidratantes (indicados pelo médico) várias vezes ao dia;
  • Quanto às unhas, as condições melhoram com o término da quimioterapia, mas não devem ser utilizados produtos a base de acetona e recomenda-se usar somente esmaltes hipoalergênicos;
  • Sensibilidade ao sol:manter braços e pernas cobertos (tecidos com proteção UVA e UVB), óculos escuros e chapéus, filtro solar (fator pelo menos 30) e evitar exposição solar das 10h00 às 15h00, mesmo em dias nublados;
  • Queda de cabelos:não há prevenção, mas existem cuidados: uso de toucas com resfriamento, durante a quimioterapia, ajudam a minimizar a queda. Quando necessário escolher perucas que tenham fita adesiva hipoalergênica, e o recomendado é que seja feito o teste com adesivo no braço por 24 horas. Caso opte por perucas coladas por 20 a 30 dias, que a base seja em silicone. Vale lembrar que após a liberação médica podem ser realizadas sessões de laser e intradermoterapia, com medicações e vitaminas, que aceleram o crescimento capilar.

Por: Adriana Vilarinho- Dermatologista

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